A busca do tema gerador na práxis da Educação
Popular
Se vivêssemos num país justo, solidário e
democrático, portanto, sem desigualdades sociais, haveríamos de ter dois tipos
de educação? Uma escola formal, oficial, transmissora dos conhecimentos
científi cos e outra informal, popular, fundada no diálogo, na problematização,
no desvelamento da realidade?
Sabendo que a origem histórica da escola, na
antiguidade clássica, era o lugar do “ócio” – aprendizado das artes do mando –
para os fi lhos da classe dominante e que, no sistema capitalista se fez para
ser formadora de mão-de-obra, a escola poderia se constituir no espaço de
compreensão da vida, do funcionamento da sociedade e da apreensão e troca de
todos os saberes práticos e teóricos necessários a uma vida humana digna?
O que seria a universidade brasileira, na
perspectiva de um projeto popular de nação? Para que interesses, objetivos, fi
nalidades, seriam formados médicos, engenheiros, advogados, sociólogos,
historiadores, químicos, biólogos?
Como se estabeleceria a relação entre educação e
trabalho ou entre trabalho e formação humana, numa sociedade onde a exploração,
a opressão e todas as formas de discriminação tivessem sido banidas?
Imagine o que o desenvolvimento científi co,
resultante de uma relação entre a educação e o trabalho, entendida como práxis social;
entre o ensino, a pesquisa e a extensão seria capaz de proporcionar à população
de um país justo e solidário!
O que esta população, cujas necessidades básicas
seriam supridas em poucas horas de trabalho, haveria de fazer com o seu tempo
livre?
Quanta criação artística e cultural, novas
descobertas científi cas nos diferentes campos de conhecimento, valores,
desenvolvimento de relações humanas, poesia, jardins, amizades sinceras,
cuidado com as pessoas e com o mundo, poderiam resultar desse tempo livre!
Precisamos pensar sobre isto. Precisamos reaprender
a anunciar o nosso sonho humanizador, enquanto denunciamos um presente
desumanizador. Mais que isto, precisamos construir dia-a-dia o nosso sonho
coletivo, porque ele está inscrito como possibilidade histórica. Não está
remetido ao transcendental.
A revolução não se faz num momento – nem por
mágica, nem por decreto, nem por sublevação –, a revolução se constrói
cotidianamente, em todos os espaços e tempos, onde valores de solidariedade
possam ser cultivados. Onde a competição, o individualismo, o egoísmo, o
autoritarismo e tudo que destrói a possibilidade de vida, possam ser
combatidos. A revolução não é a tomada de poder. É a transformação radical das
pessoas e das estruturas e, por isso, é permanente, não se esgota num instante
histórico.
A educação, como pratica social, pode manter e
ajudar a fortalecer as estruturas injustas, mas também pode, desde já, ter uma
finalidade humanizadora, dentro e fora da escola. Muitas administrações
populares ousaram trazer para o sistema ofi cial de ensino, as práticas
educativas que têm sido historicamente classifi cadas como informais e
politizadoras.
E, Paulo Freire, deu uma importante contribuição a
isto. Sua obra é extensa e está disponível para todos e todas que querem fazer
da educação, uma prática social transformadora da realidade e, portanto,
revolucionária.
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